Um novo espaço cultural será inaugurado durante o Circuito Cultural Ribeira. A Rua Doutor Barata pode figurar como mais um point para o samba de qualidade em Natal. Tarde de sábado, rua fechada, samba na rua e uma área disponível para exposições, saraus e performances. Esta será a proposta do Funil da Cultura, o novo espaço do músico e produtor Camilo Lemos, ex-diretor do Buraco da Catita. O nome tem fundamento: a área localizada na histórica rua do bairro da Ribeira é o térreo de um prédio de aproximadamente três metros de largura e extenso corredor, que vai se afunilando até outra área mais aberta ao fundo. A inauguração está prevista para agosto.
Artistas plásticos do calibre de Flávio Freitas, Marcellus Bob e Clarissa Torres foram convidados a pintar o espaço. E uma associação composta por agentes culturais e profissionais liberais darão início às atividades. O Funil da Cultura nascerá nos mesmos moldes do Buraco da Catita: sem infraestrutura completa, com música de qualidade e serviços terceirizados. A ideia de Camilo é reformar com a receita advinda da venda de cervejas, tiragostos e, possivelmente, aluguel das mesas. "Estudamos a possibilidade de vender a mesa com quatro cadeiras por 20 reais durante o samba. Ou de repente passar o chapéu para contribuição. São alternativas", disse.
Sem freezer e equipamentos necessários à licença para funcionar um bar, Camilo pretende colocar a bebida em isopor com gelo. A gastronomia ficará sob responsabilidade da chef profissional Gabriela Sales. Será variada e toda voltada à culinária nacional. Gradis serão colocados na rua para evitar presença de ambulantes. "O baixo fluxo de veículos aos sábado facilita e tem o desvio para a Rua Duque de Caxias. Quanto a isso não vai ter problema".
Experiência
Camilo Lemos traz ao novo projeto quase cinco anos de experiência no Buraco da Catita. "Sei dos erros cometidos no início e posso usar ao meu favor nesta nova empreitada". Para ajudar o músico estão o produtor Chico Alves, para colaborar na inscrição do projeto em leis e editais culturais; os assessores jurídicos George Silveira e Vandréa Alves; o administrador financeiro André Gustavo; e o assessor de imprensa Rafael Duarte.
O grupo de samba também está sendo montado. Músicos de diversas bandas etão sendo convidados. Só a nata do samba natalense, oriunda dos grupos de samba mais respeitados da cidade. A cantora Buluca, o compositor Zorro, o cavaquinista Xumbinho, o cantor Acaci e outros deverão ser os integrantes do grupo que se chamará Samba do Carmo, em homenagem ao prédio que abrigará o Funil da Cultura: o Edifício Nossa Senhora do Carmo.
Ideia surgiu de Djalma Maranhão
Desde pouco antes de deixar o Buraco da Catita, Camilo mora de aluguel no primeiro e único andar do Edifício Nossa Senhora do Carmo. A ideia inicial foi fincar residência perto do trabalho. Quando saiu do 'Catita', pensou em alugar o andar térreo para um novo espaço cultural. A história e o potencial da Rua Doutor Barata influenciou. E Camilo conhecia muito de cada quadrante da rua ao ler o livro Esquina do Mundo - uma série de reportagens escritas por Djalma Maranhão.
"Djalma contou a história dessa rua. Aqui era um verdadeiro shopping center nas décadas de 1930 e 1940. Envolvia toda a Ribeira. E se essa aura se perdeu, temos potencial para voltar". Camilo cita a presença de importantes comércios na rua, a exemplo da Gráfica Off Set, a agência de publicidade Armação, três antiquários e já um primeiro espaço de shows, o Live Beach Pub, antigo Bar do Reggae.
"Faremos aqui três ambientes no Funil da Cultura: a rua, com o samba; o corredor como galeria para exposições e outras atrações; e os fundos onde estudaremos alternativas do que fazer, já que é um espaço mais aberto. De repente números de dança e performance". Marcellus Bob foi chamado para pintar o teto do espaço: "Recomendei a figura de sambistas famosos. Seria nossa Capela Sistina do samba". Flávio Freitas e Clarissa Torres farão a arte das paredes laterais.
Fim de tarde
A programação é de abertura do Funil da Cultura apenas aos sábados, a partir das 16h. "É uma hora bonita aqui na rua, boa ventilação, boa acústica. No início será neste horário pela falta de estrutura. Aos poucos vamos incrementando e abrindo a programação para outros gêneros musicais e outras atrações", concluiu o produtor e músico da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte.
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